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quarta-feira, 4 de junho de 2014
Luciana
Era madrugada, estava frio, e ela caminhava pela rua, pelo meio da rua, onde a luz batia mais forte, onde os carros não ousavam passar àquela hora, ela não tinha medo, era amiga da noite, acostumada a estar sozinha... Honestamente? Ela até preferia... É lógico que tinha amigos, muitos deles, mas nesse leve estado de embriagues que se encontrava gostava de não precisar pensar, em nada, em ninguém, ou em tudo ao mesmo tempo, sem medo das próprias lembranças...
Luciana não tinha vergonha de ser quem era, trabalhava, se sustentava, mas não deixava que isso lhe tomasse todo o sabor da vida, do whisk, da cerveja, nem das bocas de desconhecidos que encontrava pela noite, a maioria com o gosto do cigarro, o cheiro de cinzas, e o sabor da liberdade, de quem aceita a vida sem medos, sem julgamentos, de quem não sabe o que é essencial, mas não perde tempo pensando sobre isso, Luciana tinha os sapatos molhados pela poças da chuva, o cabelo bagunçado, a solidão como companhia, mas também tinha o sabor da liberdade...
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Luciana
Ela estava tomando banho, tinha um encontro, mas para falar a verdade nem sabia ao certo porque aceitara - era algo sobre os olhos dele, como a desafiavam, uma inteligência, não, era uma sabedoria que a intrigava.
O local do encontro era em uma cafeteria da cidade, quando ela chegou, ele levantou-se, sorriu e lhe ofereceu a mão.
- Aceita um café? - perguntou ele, que estava vestido com calça jeans, camiseta, e um blazer por cima.
Logo ela percebeu o tipo dele, galanteador, confiava no seu sex appeal e acreditava no seu poder sobre as mulheres, porém, naquela noite, ele parecia especialmente nervoso.
"Será que sou só mais jogo para ele? Foda-se, se for, vamos jogar então"
Durante esses segundo em que ela o encarou o sorriso dele pareceu um pouco inseguro, então ela finalmente sorriu e aceitou o café e a cadeira que ele havia puxado para ela.
Conversaram por um tempo incalculável, era impossível se entediar com ele, música, filosofia, e até para o incrédulos que acham que política não se discute, este foi um dos assuntos da tarde, em algum momento ela começou a chamá-lo de "Poeta".
Então ela sentiu que estava perdendo o controle, sentiu de súbito uma vontade de fumar, levantou-se e sugeriu irem até um bar para continuarem a conversa e beberem algo mais forte do que o café.
-Vamos Poeta, a noite pode ser uma criança, vamos causar um estrago nessa cidade infernal!
- Claro Luciana, como você quiser, conheço um lugar ótimo, que sempre frequento, sou amigo dos garçons e copos estão sempre cheios, o que acha?
Ela aceitou.
Com o sangue já quente por causa do whisk ela se sentia mais livre e dona de si, ele também bebia, mas memso assim não se deixava perder o contorle.
- Vamos Poeta, deixe de ser careta - disse ela tirando o blazer dele.
Ele apenas sorriu, meio cínico, meio divertido e segurou a nuca dela, com certa pressão, um sinal claro de que ele desejava manter o controle sobre ela.
- Vamos embora daqui Luciana!
- Ao meu apartamento então.
- Sem dúvidas!
Quando chegaram, ele a jogou na parede, a beijou e repentinamente a largou, ela o encarou em dúvidas, ele apenas disse:
- Essa noite não querida, quem sabe um dia desses...
Ela riu e o xingou de alguma coisa irrelevante, se despediram, ela fechou a porta, colocou um vinil para tocar e preparou mais uma dose de wiskh, ser dispensada era novidade, teve uma noite com sonhos estranhos, algo sobre uma festa em Sodoma...
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Luciana
Ela acendeu um cigarro e sentou nos degraus de sua casa, olhou ao redor e viu tudo em uma perfeita bagunça, tragou uma, duas três vezes seu cigarro, tudo em um eterno silêncio.
"Foda-se tudo isso" Pensava ela, mas se lhe perguntassem, o que afinal era 'tudo isso', ela jamais saberia responder. "Talvez, toda essa gente deva se foder, já estão cegas mesmo, como não percebem o mar de hipocrisia que o mundo está?"
Ela olhou para o cigarro em sua mão, as cinzas sujavam o chão, ela não se importava, colocou-o no degrau e, no meio de todo o caos, interno, e externo, se levantou para pegar uma cerveja gelada, o calor acabava com Luciana e ela precisava de uma distração, enquanto abria a long neck, se lembrou de como a tecnologia havia acabado com a felicidade, hoje tudo era uma desculpa para parecer mais feliz, enquanto na verdade tudo mundo estava mergulhado na mesma merda até o pescoço
"Inclusive eu" Disse Luciana em voz alta, para ninguém, para todo mundo, e somente para ela mesma.
Quando voltou a pegar seu cigarro, percebeu que ele já tinha queimado inteiro, ali mesmo no chão.
"Tudo bem, eu gosto mesmo é das filosofias baratas, de botequim, e nesse mundo, sempre se tem um cigarro a mais..."
ela se deitou no chão, ali mesmo, e pelo resto daquela tarde ociosa ficou na companhia do silêncio.
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